Afastamentos por Saúde Mental Subiram 67%: o que o RH precisa fazer agora
- Reynald Magri

- 2 de jul.
- 5 min de leitura
Em 2024, o Brasil registrou o maior número de afastamentos por transtornos mentais da série histórica. O tema já pesa na folha de pagamento, na produtividade das equipes e, a partir de maio de 2026, na fiscalização da NR-1. Este artigo reúne os números oficiais, os custos que quase ninguém contabiliza e um roteiro prático para a sua empresa sair na frente.
Por Reynald Magri
Megaquality Brasil - Processos. Pessoas. Resultados Conectados.

Fonte: Pexels (Banco de Imagens)
A saúde mental deixou de ser um tema de campanha interna e se tornou um indicador de gestão. Os números que chegaram em 2024 e 2025 mostram uma curva que nenhuma diretoria responsável pode ignorar, e a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) transforma esse cuidado em obrigação legal fiscalizável. Para o RH e para a alta gestão, a pergunta deixou de ser "se" a empresa vai agir, e passou a ser "com que rapidez e com qual método".
📊 O tamanho do problema: os números que a diretoria precisa ver
Segundo dados oficiais do INSS, o Brasil concedeu 472.328 benefícios por afastamento decorrente de transtornos mentais em 2024, contra cerca de 283 mil no ano anterior, um crescimento de aproximadamente 67% e o maior patamar em uma década. Quando a base de comparação é 2022, o salto é ainda mais expressivo: os benefícios ligados à saúde mental cresceram 134% entre 2022 e 2024, saltando de 201 mil para 472 mil concessões.
O perfil desses afastamentos ajuda a entender o problema. De acordo com o INSS, a maioria dos afastados é composta por mulheres (64%), com idade média de 41 anos, e a duração média do afastamento é de três meses. Só os transtornos de ansiedade responderam por mais de 141 mil benefícios no ano.
O cenário brasileiro é agravado por um pano de fundo preocupante. A Organização Mundial da Saúde aponta o Brasil como o país com maior prevalência de ansiedade do mundo, 9,3% da população, e estima que uma em cada quatro pessoas enfrentará algum transtorno mental ao longo da vida. Em síndrome de burnout, o Brasil ocupa o segundo lugar em casos diagnosticados, atrás apenas do Japão.
💸 O custo invisível: o presenteísmo e a conta que não aparece no balanço
O afastamento formal é apenas a parte visível do problema. O prejuízo maior costuma vir do presenteísmo, o colaborador que comparece fisicamente, mas opera no limite emocional, entrega o mínimo e participa pouco. Segundo o Censo de Saúde Mental da Vittude, o presenteísmo médio nas empresas brasileiras chega a 32%, e estudos apontam que ele pode custar até três vezes mais que o absenteísmo por colaborador ao ano.
A conta macroeconômica é ainda mais impactante. A OPAS, em conjunto com o Banco Mundial, estima que os prejuízos associados à saúde mental equivalem a cerca de 4,7% do PIB brasileiro, algo próximo de R$ 554 bilhões ao ano. No plano global, a OMS calcula que depressão e ansiedade custam US$ 1 trilhão por ano em produtividade perdida, o equivalente a 12 bilhões de dias de trabalho.
⚖️ NR-1: por que maio de 2026 muda tudo
A resposta regulatória a esse cenário tem data marcada. A nova redação da NR-1 incorporou de forma expressa a gestão dos riscos psicossociais, colocando fatores como estresse, assédio moral, metas abusivas, jornadas exaustivas e violência no trabalho no mesmo patamar dos riscos físicos, químicos e ergonômicos.
A partir de 26 de maio de 2026, todas as empresas com empregados sob a CLT passam a ser fiscalizadas quanto à identificação, avaliação e controle desses riscos dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O governo definiu que o primeiro ano terá caráter educativo e orientativo, sem aplicação de multas, e o Ministério do Trabalho e Emprego publicou um manual para orientar as empresas.
Esse período de transição é a verdadeira oportunidade. A empresa que usar 2026 para estruturar o tema com método chegará à fiscalização plena com um programa maduro, enquanto as retardatárias correrão contra o prazo, sob pressão e risco de autuação.
🧭 O que o RH precisa fazer agora: um roteiro em cinco passos
Adequar-se à NR-1 e, mais importante, cuidar genuinamente das pessoas, exige método. Cinco frentes concentram o essencial:
🔍 Diagnóstico de clima e mapeamento dos fatores psicossociais. Antes de agir, é preciso medir. Um diagnóstico estruturado identifica onde estão a sobrecarga, o assédio, a falta de autonomia e o clima organizacional tóxico.
📊 Inclusão formal dos riscos psicossociais no PGR. O programa precisa prever plano de ação objetivo, responsáveis definidos e monitoramento contínuo, como já se faz com os demais riscos ocupacionais.
📈 Criação de indicadores. Indicadores de saúde emocional, turnover, absenteísmo e engajamento permitem acompanhar a evolução e provar resultados para a diretoria.
📢 Capacitação das lideranças. O gestor direto é quem mais influencia o bem-estar da equipe. Preparar líderes para uma atuação preventiva e empática é o ponto de maior alavancagem.
💬 Canais de escuta e apoio. Estruturas de acolhimento permitem identificar sinais cedo e agir antes que o quadro evolua para o afastamento.
🚀 O outro lado da conta: saúde mental como investimento
Há um dado que reposiciona toda essa discussão no campo estratégico. A OMS estima que cada US$ 1 investido em saúde mental retorna US$ 4 em produtividade. Empresas que colocam o tema no centro da gestão colhem times mais engajados, menor rotatividade, ambientes mais seguros e resultados mais consistentes. A conformidade com a NR-1 é o piso, e a vantagem competitiva está em transformar o cuidado com as pessoas em performance organizacional sustentável.
💡 Por que a Megaquality Brasil é a parceira certa para essa jornada
Estruturar um programa de gestão de riscos psicossociais que resista à fiscalização e, ao mesmo tempo, gere resultado real exige mais do que um checklist. Exige quem saiba conectar processos, pessoas e indicadores dentro da realidade da sua organização. É exatamente isso que a Megaquality Brasil faz há mais de 20 anos, atuando em 23 estados e ao lado de empresas de setores altamente regulados, como bancos, cooperativas, fundos de pensão, energia e saúde, ambientes em que sigilo, método e rigor técnico não são opcionais. Nossa metodologia própria integra diagnóstico de clima organizacional, estruturação do Programa de Gestão de Riscos Psicossociais alinhado à NR-1, criação de indicadores que conversam com o desempenho do negócio e capacitação de lideranças para uma gestão mais humana e preventiva.
A fiscalização de maio de 2026 vai chegar para todos ao mesmo tempo. A diferença estará entre as empresas que trataram o tema como uma obrigação de última hora e aquelas que o transformaram, com apoio especializado, em cultura, reputação e alta performance. Sua empresa já está estruturada para essa nova exigência, ou ainda está reagindo a ela? Não espere a pressão do prazo para agir. Converse agora com quem tem o know-how e o histórico para conduzir essa transformação com segurança. Fale com a Megaquality Brasil e agende um diagnóstico com o nosso time de especialistas. Vamos, juntos, construir um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e preparado para o futuro.


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